Dos passos que seguirão a partir daqui,
Uma certeza: a incerteza solta, feito pólen.
Até que chege o temido dia d,
Levarei surras, de forma constante
Ignorando avisos ad hoc
(Decido eu os passos que darei).
A cada milha, olhararei para trás
Deixando os rastros do meu amanhã
Escolhas feitas, crio o meu destino.
Quinta-feira, 12 de Novembro de 2009
Segunda-feira, 21 de Setembro de 2009
Na Madrugada
Saio pela porta, madrugada afora
Seio do improvável e do imperfeito
Sinto um vento frio que me congela o peito
Sento, e vejo a vida até perder a hora
Uma lua branca, iluminando o crime
Úmida neblina que domina a rua
Um céu estrelado, onde a mesma Lua
Unge o pecado que o Sol reprime
Assumo que isso tudo é tão normal
Acima de tudo, rege a lei da noite
Ávida, que diz "Pequeno, não se afoite -
A vida se transforma logo ao meu sinal"
Vida, roda, passa ante a minha retina
Vedo a minha mente dos maus pensamentos
Visto o manto da escuridão; enfrento
Vasto sem-fim de lembranças... Desatino.
Esperas que me fazem repensar em tudo
Esporas que me ferem, como fossem facas
E quando a luz no céu deixa de ser opaca
É quando, à luz do dia, novamente eu mudo!
Seio do improvável e do imperfeito
Sinto um vento frio que me congela o peito
Sento, e vejo a vida até perder a hora
Uma lua branca, iluminando o crime
Úmida neblina que domina a rua
Um céu estrelado, onde a mesma Lua
Unge o pecado que o Sol reprime
Assumo que isso tudo é tão normal
Acima de tudo, rege a lei da noite
Ávida, que diz "Pequeno, não se afoite -
A vida se transforma logo ao meu sinal"
Vida, roda, passa ante a minha retina
Vedo a minha mente dos maus pensamentos
Visto o manto da escuridão; enfrento
Vasto sem-fim de lembranças... Desatino.
Esperas que me fazem repensar em tudo
Esporas que me ferem, como fossem facas
E quando a luz no céu deixa de ser opaca
É quando, à luz do dia, novamente eu mudo!
Sábado, 5 de Setembro de 2009
Tarde de Domingo
Outono, o vento sopra devagar
Ou todo o mundo, abrupto, sacode?
Quem sabe a diferença? E quem pode?
Quisera eu saber de tudo isso!
Cantando, eu sigo, sem compromisso
Contando as andorinhas a voar
Mas hoje tudo cheira a calmaria
Matinê, os mesmos filmes de anteontem
Charada, cujo final não me contem!
Chá-mate, um passeio pela praça
Amigos com que a gente se embaraça
Amores que fazem valer o dia
Tarde em tons pastéis, melancolia
Tudo muda a cor e fica triste
A brisa; e então o sol, que logo insiste
Abrir sorrisos por onde passar
Desejo inesperado em ver o mar
Desenhos que uma criança faria
O tempo passa, e dele eu me vingo
O temporal me lava a alma inteira
Me vejo novo, queira ele ou não queira
Solfejo, alegre, a mesma melodia
Que sopra o vento agora, quem diria?
É só mais uma tarde de domingo
Ou todo o mundo, abrupto, sacode?
Quem sabe a diferença? E quem pode?
Quisera eu saber de tudo isso!
Cantando, eu sigo, sem compromisso
Contando as andorinhas a voar
Mas hoje tudo cheira a calmaria
Matinê, os mesmos filmes de anteontem
Charada, cujo final não me contem!
Chá-mate, um passeio pela praça
Amigos com que a gente se embaraça
Amores que fazem valer o dia
Tarde em tons pastéis, melancolia
Tudo muda a cor e fica triste
A brisa; e então o sol, que logo insiste
Abrir sorrisos por onde passar
Desejo inesperado em ver o mar
Desenhos que uma criança faria
O tempo passa, e dele eu me vingo
O temporal me lava a alma inteira
Me vejo novo, queira ele ou não queira
Solfejo, alegre, a mesma melodia
Que sopra o vento agora, quem diria?
É só mais uma tarde de domingo
Quarta-feira, 26 de Agosto de 2009
A Cor dos Olhos

Não gosto de olhos verdes. Eles me irritam, sabe? Tanto os tons de verde-mar, quanto os reluzentes verde-mato. Talvez sejam más lembranças, não sei – mas como não me lembro delas, não posso ter certeza. Sei que eles me irritam, e que, talvez por isso, eu já não os ache muito bonitos. Ou talvez eu tenha essa opinião por ser comum demais as pessoas acharem ele bonito, e excesso de atenção a uma coisa me provoca desinteresse. Gosto de um pouco de originalidade.
Os olhos azuis, de que um dia já gostei, agora me passam uma enorme sensação de prepotência. Servem como máscara, ataque, defesa e passaporte universal. E, se não gosto de pessoas que conseguem tudo pela lábia ou pelas curvas, também não gosto de quem consegue tudo pelos olhos. Os olhos azuis são bonitos, sim, mas gostam de ser o centro das atenções. Os olhos, não as pessoas. São meio hipnotizantes: se uma pessoa tem olhos azuis, perdoamos e esquecemos todo o resto, seja por dentro, seja por fora. Algo que provoque esse ponto de irracionalidade não pode ser bom...
Isso sim é que não pode ser bom: olhos negros. Olhos negros me dão medo. Afligem-me, e sou tomado por um pavor infantil, uma superstição irracional. Olhos negros me lembram trevas, escuridão – e não preciso de mais lembranças de meus dias sombrios. Quero olhos que me tragam conforto, e não que me ameacem; quero olhos que me aqueçam, e não me julguem; quero olhos mais sinceros, e não tão carregados de dissimulação.
Gosto de seus olhos castanhos, cor de avelã. Olhos que me lembram um domingo de manhã, o aroma de café. Olhos com cheiro de terra molhada, de uma tarde chuvosa de outono. Olhos tão doces, como duas gotas de chocolate, perfeitamente alinhadas em seu rosto. Olhos verdadeiros, sem lente, sem lenda, sem máscara. Olhos que me trazem a sensação de estar sendo abraçado, protegido, e que só me pedem o amor em troca. Os olhos que demorei a encontrar, e onde agora me perdi.
Os olhos azuis, de que um dia já gostei, agora me passam uma enorme sensação de prepotência. Servem como máscara, ataque, defesa e passaporte universal. E, se não gosto de pessoas que conseguem tudo pela lábia ou pelas curvas, também não gosto de quem consegue tudo pelos olhos. Os olhos azuis são bonitos, sim, mas gostam de ser o centro das atenções. Os olhos, não as pessoas. São meio hipnotizantes: se uma pessoa tem olhos azuis, perdoamos e esquecemos todo o resto, seja por dentro, seja por fora. Algo que provoque esse ponto de irracionalidade não pode ser bom...
Isso sim é que não pode ser bom: olhos negros. Olhos negros me dão medo. Afligem-me, e sou tomado por um pavor infantil, uma superstição irracional. Olhos negros me lembram trevas, escuridão – e não preciso de mais lembranças de meus dias sombrios. Quero olhos que me tragam conforto, e não que me ameacem; quero olhos que me aqueçam, e não me julguem; quero olhos mais sinceros, e não tão carregados de dissimulação.
Gosto de seus olhos castanhos, cor de avelã. Olhos que me lembram um domingo de manhã, o aroma de café. Olhos com cheiro de terra molhada, de uma tarde chuvosa de outono. Olhos tão doces, como duas gotas de chocolate, perfeitamente alinhadas em seu rosto. Olhos verdadeiros, sem lente, sem lenda, sem máscara. Olhos que me trazem a sensação de estar sendo abraçado, protegido, e que só me pedem o amor em troca. Os olhos que demorei a encontrar, e onde agora me perdi.
Quinta-feira, 20 de Agosto de 2009
Preciso Escrever Alguma Coisa
Preciso escrever alguma coisa
Um verso, prosa, papo assim qualquer
Só quero que as palavras se esvoem
Num rio, que flui liberto, como quer
Vai onde todos os dias se põem
Aonde a solitária ave pousa
Preciso escrever alguma coisa
Rabisco, cisco a folha do caderno
Procuro, ansioso, inspiração
De voz, que vem do Céu ou do Inferno
Que transforma ideias em ação
Em letras tecidas a giz na lousa
Preciso, urgentemente, de palavras
Que venham, tenham vida, virem luz
Pois minha mão é mero instrumento
Com a ponta da caneta, conduz
Devaneios que eu mesmo invento
Tão claros quanto essa mão que lavas
Preciso, mais que isso, de um tema
As margens onde corre a minha estória
O campo onde jogam minhas letras
Que formam o que guardo na memória
Palavras que voam, como cometas
E orbitam, precisas, o meu poema
Um verso, prosa, papo assim qualquer
Só quero que as palavras se esvoem
Num rio, que flui liberto, como quer
Vai onde todos os dias se põem
Aonde a solitária ave pousa
Preciso escrever alguma coisa
Rabisco, cisco a folha do caderno
Procuro, ansioso, inspiração
De voz, que vem do Céu ou do Inferno
Que transforma ideias em ação
Em letras tecidas a giz na lousa
Preciso, urgentemente, de palavras
Que venham, tenham vida, virem luz
Pois minha mão é mero instrumento
Com a ponta da caneta, conduz
Devaneios que eu mesmo invento
Tão claros quanto essa mão que lavas
Preciso, mais que isso, de um tema
As margens onde corre a minha estória
O campo onde jogam minhas letras
Que formam o que guardo na memória
Palavras que voam, como cometas
E orbitam, precisas, o meu poema
Quarta-feira, 29 de Julho de 2009
De Olhos Bem Fechados...
Dormia. Acordava. Dormia e acordava, em turnos alternados - digamos que seu sono aquela manhã não estava dos melhores. E mesmo assim, recusava-se a abrir os olhos. Já que não conseguia dormir, resolveu tirar umas férias de enxergar, dar a seus olhos uma folga que mereciam, depois de verem tanta coisa que não gostariam. E assim ficou... ali... deitado... de olhos fechados.
Ouviu passos curtos e rápidos, algo que pensou ser um pulo, e então um peso sobre suas pernas. Era sua cadela, subindo por conta própria na cama. Lembrou-se que cachorros só enxergam em preto-e-branco, tinha visto isso no museu uma vez. Não teve pena dela: as cores que, por vezes, embelezam, também sabem acentuar a dor. Em um mundo preto-e-branco, não existe muita diferença entre uma poça de lama e uma de sangue, é mais fácil escolher o que se enxergar.
Puxou as cobertas um pouco mais para cima - com certa dificuldade, já que a cadela recusava-se a cooperar, e não se movia. Ouviu digitações rápidas de teclas, e concluiu que alguém tinha um trabalho muito importante para terminar, e seu tempo se esgotava. Ele estava livre daquelas preocupações... Não tinha pressa. Ao menos não enquanto estivesse assim, de olhos fechados. Conseguiu esquecer suas preocupações, apenas pelo fato de não enxergá-las. Sentiu-se mais leve.
Não queria fugir dos problemas, apenas queria uma folga, para reorganizar as idéias. Uma forma de... bem... uma forma nova de enxergar as coisas. E na sua imobilidade, sentia o cheiro do vapor do chuveiro escapando pela porta do banheiro, à medida que alguém saiu do banho. Pelos passos, deveria ser sua mãe. Ouvia conversas animadas em outra sala, que deveriam ser dos amigos de seu irmão decidindo o que fazer aquela noite. Percebeu passos do outro lado da rua, a chava entrando e girando na fechadura, e seu pai entrando pela casa, cansado do trabalho.
Escutou alguns bem-de-vis tardios cantarem, através da janela, e lembrou que há muito tempo não parava para escutar os pássaros. Não escutava muitos carros - naquela manhã de sábado, a maioria deles deveria estar longe dali, se dirigindo à praia. Era o primeiro final de semana de sol em muito tempo, e ele estava ali, deitado. E assim ficou... ali... deitado... de olhos fechados... mas enxergando. Não enxergava como nós, enxergava de um jeito diferente. Ele sentia.
Sentiu de leve o tom de cinza de sua cegueira clarear. Alguém entrava no quarto. E, pé por pé, ele ouvia a pessoa caminhar em passos nada discretos, sem saber o objetivo. Sentiu o cinza mudar para um vermelho incandescente. Alguém havia aberto a janela. Chega de brincar de cego, hora de levantar.
Ouviu passos curtos e rápidos, algo que pensou ser um pulo, e então um peso sobre suas pernas. Era sua cadela, subindo por conta própria na cama. Lembrou-se que cachorros só enxergam em preto-e-branco, tinha visto isso no museu uma vez. Não teve pena dela: as cores que, por vezes, embelezam, também sabem acentuar a dor. Em um mundo preto-e-branco, não existe muita diferença entre uma poça de lama e uma de sangue, é mais fácil escolher o que se enxergar.
Puxou as cobertas um pouco mais para cima - com certa dificuldade, já que a cadela recusava-se a cooperar, e não se movia. Ouviu digitações rápidas de teclas, e concluiu que alguém tinha um trabalho muito importante para terminar, e seu tempo se esgotava. Ele estava livre daquelas preocupações... Não tinha pressa. Ao menos não enquanto estivesse assim, de olhos fechados. Conseguiu esquecer suas preocupações, apenas pelo fato de não enxergá-las. Sentiu-se mais leve.
Não queria fugir dos problemas, apenas queria uma folga, para reorganizar as idéias. Uma forma de... bem... uma forma nova de enxergar as coisas. E na sua imobilidade, sentia o cheiro do vapor do chuveiro escapando pela porta do banheiro, à medida que alguém saiu do banho. Pelos passos, deveria ser sua mãe. Ouvia conversas animadas em outra sala, que deveriam ser dos amigos de seu irmão decidindo o que fazer aquela noite. Percebeu passos do outro lado da rua, a chava entrando e girando na fechadura, e seu pai entrando pela casa, cansado do trabalho.
Escutou alguns bem-de-vis tardios cantarem, através da janela, e lembrou que há muito tempo não parava para escutar os pássaros. Não escutava muitos carros - naquela manhã de sábado, a maioria deles deveria estar longe dali, se dirigindo à praia. Era o primeiro final de semana de sol em muito tempo, e ele estava ali, deitado. E assim ficou... ali... deitado... de olhos fechados... mas enxergando. Não enxergava como nós, enxergava de um jeito diferente. Ele sentia.
Sentiu de leve o tom de cinza de sua cegueira clarear. Alguém entrava no quarto. E, pé por pé, ele ouvia a pessoa caminhar em passos nada discretos, sem saber o objetivo. Sentiu o cinza mudar para um vermelho incandescente. Alguém havia aberto a janela. Chega de brincar de cego, hora de levantar.
Quinta-feira, 23 de Julho de 2009
Cai a Noite
Cai a noite, e vou para a varanda
Vagando, olho o brilho das estrelas
Estranha sensação de solidão
Solenemente, peço a calmaria
Calculo os meus passos de amanhã
Escondida, muito além dos arbustos,
Habita uma lua reluzente
Relatando o meu calmo fim de noite
Nota a espera, a paz, o sono e o mate quente
Cai a água, serve a cuia, sorvo o mate
Mato o tempo, espero quem não chegou
Chega a hora, oro e peço, o tempo passa
Passatempos, tento entrar em sintonia
Sinto a voz que ecoa longe, tão distante
Destoante, é o som da calmaria
Vagando, olho o brilho das estrelas
Estranha sensação de solidão
Solenemente, peço a calmaria
Calculo os meus passos de amanhã
Escondida, muito além dos arbustos,
Habita uma lua reluzente
Relatando o meu calmo fim de noite
Nota a espera, a paz, o sono e o mate quente
Cai a água, serve a cuia, sorvo o mate
Mato o tempo, espero quem não chegou
Chega a hora, oro e peço, o tempo passa
Passatempos, tento entrar em sintonia
Sinto a voz que ecoa longe, tão distante
Destoante, é o som da calmaria
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